quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Uma Cascata...

Eu queria ser uma catarata, uma que todos conhecessem. Capa de revista e estrela em fotografias, todos me respeitariam pois o poder da natureza, o meu poder, dificilmente seria contrariado.
O ruido que as quedas de água provocariam ao ressaltar nos altos degraus cuidadosamente colocados ao longo do meu "corpo", seria a prova da minha força. Ribombando como uma trovoada, mas ao longo de tempo indeterminado, este ruido impressiona a todos menos a fauna e a flora que ao longo dos tempos se vai alimentando de mim e eu, magnânimo, permito.
Viveria para sempre tudo à minha volta mudaria, menos eu pois o tempo nao me diz respeito, a minha existência é perpétua.
Mas pensando bem, eu quero mesmo ser uma catarata? será que eu quero viver para sempre? Ou viver para sempre como alguém grandioso? A resposta é nao.
Ainda bem que a vida é efémere. O facto do tempo ser um recurso esgotável faz-nos abordar a vida de um modo diferente, de uma maneira mais humilde. Ao mesmo tempo, ficamos com ganas de fazer algo grandioso, mas nao de sermos grandes. Se a vida é apenas o decorrer do tempo entao, este tempo é precioso! Ainda bem que sou pequeno, ainda bem que o Mundo é grande e complexo, ainda bem que o tempo é limitado pois assim tenho algo para fazer enquanto estou por aqui.
Ah! Por falar em cataratas, aqui vao umas fotos das cataratas do Iguaçú e da Serra Gaúcha...





Eu e o meu amigo Horácio...



Mike e Maria, dois holandeses com quem passei o dia.




Queda de água de 131m no parque do caracol, perto de Canela e Gramado

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

São Paulo

Chego ansioso a São Paulo pois é aqui, na segunda maior metrópole do Mundo, que se encontram dois grandes amigos meus, Thais e Luis. Conheci-os através do programa de intercambio Europeu "Erasmus" em Marselha e felizmente para mim, temos mantido contacto, contacto esse que me deu jeito para conhecer a Cidade e claro, para não pagar alojamento (obrigado Luis).







Através de Thais vou conhecendo a parte Erudita e chique da cidade, e apercebo-me que aqui em São Paulo a ideia de "novo" e "velho" têm significados completamente diferentes do que na Europa:

- Está vendo aí esse prédio? Olha como é bonitinho? Não é?

Olho para o prédio, um mastodonte horrivel dos anos 50 ou 60 e respondo - Sim, é engraçado mas eu prefiro aquele ali - aponto para um skyscraper moderno.

- Ah estou vendo, cê não gosta dos prédios antigos, prefere os modernos né?

- Antigo? aquilo é antigo? o prédio onde moro lá em Lisboa deve ser quase da mesma idade! Antigo é o Castelo de S.Jorge com 800 anos!!

- Pô mas aqui para S.Paulo é antigo! - não consigo deixar de conter o riso ao pensar na noção de antigo/moderno em S.Paulo!

Continuamos a nossa visita e ao longo da semana percorremos vários pontos essenciais da cidade: Museu Arte de São Paulo, Pinacoteca, Sala S.Paulo, restaurantes, Centro da cidade, bolsa de valores, Galeria Rock, Museu do Futebol, entre outros... Muito animado!





Por seu lado, Luis apresenta um estilo diferente, e é dentro do seu pequeno Chevrolet Celta 1.0 (mas segundo o dono: com espírito 3.0) que me vai mostrando os modernos edificios da cidade, bares, shoppings e ainda um jogo de futebol.
Galgando passeios, pisando riscos contínuos, criando faixas onde elas não existem, queimando sinais vermelhos, excedendo os limites de velocidade, sou conduzido pelo "espírito 3.0" de Luis pelo caos da cidade, sempre agarrado ao banco e colocando a mão à frente da cara sempre que algum atentado ao código da estrada era cometido.
Viagens muito animadas estas, em que o condutor é um brasileiro nascido na Holanda, vivido em Inglaterra, filho de mãe Portuguesa, vivendo a infancia no Mato Grosso e agora Estudando em S.Paulo!












Saio desta cidade feliz, feliz por ter encontrado amigos que outrora conheci e feliz porque a cidade proporcionou-me bons momentos. Seria incapaz de viver aqui, ao caos da cidade eu respondo: "Vade retro Satanás!", e concluo que Lisboa já não parece ser assim tão caótica, até apetece viver lá imaginem só!
De qualquer das formas, S.Paulo é uma cidade onde a diversão não pára e há sempre algo para fazer, o que por si só constitui um bom argumento para visitar esta mega-cidade de 29 milhões de habitantes (área metropolitana). Seja concertos de música clássica ou shows de heavy metal, Exposições de arte clássica ou cocktails de arte pós moderna, restaurantes fast-food ou restaurantes "nouvelle cuisine", S.Paulo tem-os a todos....
Se por um lado o Rio de Janeiro está sobrevalorizado, então São Paulo está subvalorizado, o que é preciso é ter os guias certos!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Rio de Janeiro

Muito sem tem ouvido falar do Rio de Janeiro. E o muito que se ouve falar, normalmalmente é bom, senão mesmo excelente. Mesmo assim, chego à cidade mais famosa da América do Sul cauteloso... Será mesmo assim tão bom?

Fiquei hospedado em casa de uma carioca amiga, seu nome Marina, que conheci em Londres aquando a minha estadia lá há um ano atrás. Depois de quase 10 dias a dormir em Hostels e em autocarros, ávido por um bom quarto e entusiasmado pela perspectiva de passar uns dias com alguém conhecido, chego a sua casa em Ipanema, perto de Leblon, na zona chique da cidade. Foi bom ficar em casa de alguém que habita na cidade pois foi-me permitido ver coisas que se calhar não teria oportunidade de ver caso estivesse sozinho. E o que me foi mostrado por Marina e sua família foi bom: comi em bons restaurantes, assisti a um jogo no Maracanã, convivi em família, fui à famosa "night" carioca e ainda aos obrigatórios Cristo Rei e Pão de Açúcar. No fundo, a única coisa em que falhei, foi na minha ausência na praia, o que não me arrependo muito, pois apesar da fama que estas praias auferem, a ideia de estar numa praia dita paradisiaca em frente a um bloco de apartamentos, não me agrada. Ainda assim, gostei de andar pela calçada portuguesa que percorre as praias de lés a lés enquando observava a vida de praia que se fazia.

Mas nem tudo no Rio é bom, existem muitos "senãos" e a ideia com que fiquei após 4 dias na cidade (o que retira alguma credibilidade à minha opinião) foi que o Rio é um local no Mundo onde o fosso entre a riqueza e a pobreza atinge niveis incomuns e onde estranhamente, as duas realidade convivem lado a lado. Assim, foi estranho para mim saber que todas as casas em Ipanema, Leblon, e Barra, estão rodeadas de grades e ainda dispõem de um segurança 24 horas por dia. Foi estranho passar por um aglomerado de vagabundos no centro e, 2 horas depois estar rodeado da nata jovem da cidade, numa varanda com piscina que dá para a Lagoa. Foi estranho ir para uma discoteca e mesmo ao lado, assistir a um aglomerado de prostitutas e clientes a conviver. O que estou a tentar dizer é que me diverti, mas sempre com um ligeiro peso na consciência...

Saio desta cidade com um contentamento descontente rumo a São Paulo, capital financeira da América latina. Como será?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Esgotado...

Dia 20 de Setembro,
Saio de Salvador rumo a Porto Seguro, chego ao terminal rodoviário de Salvador por volta das 18h, como uma bucha e, de acordo com as indicações da senhora que me vendeu o bilhete, espero pela hora de embarque na sala VIP. Sim! Ouviram bem, sala VIP. Coincidência ou não, a companhia pela qual viajo (Águia Branca) parece ser a única que fornece este tipo de mordomias! Chegada a hora de embarque, entro no "Ônibus" e qual não é o meu espanto quando vejo que o interior do dito ônibus se assemelha ao interior de um voo de classe executiva: Cadeirões reclináveis, televisão, água e casa de banho.... Muito bom! Pensei para mim mesmo, parece que as próximas 12 horas não vão ser assim tão desagradaveis. E meu dito meu feito, depois de ver dois filmes dobrados em brasileiro, adormeço no meu cadeirão e acordo às 6 da manhã, já perto de Porto Seguro, local onde o Brasil nasceu.

Chegado a Porto Seguro, tomo um taxi para o Centro e escolho um hotel de aspecto sinistro, pois ao que parece, além de alugar quartos também vende casas e carros. Contudo, decido não ficar no hotel: depois de uma luta desenfreada com a colónia de mosquitos que convivia alegremente no quarto, e de consultar melhor o meu guia acerca do interesse do local, rumo outra vez para a rodoviária (desta vez de onibus). Compro uma passagem para Belo horizonte e com o tempo que me resta, visito o centro histórico de Porto Seguro que, diga-se de passagem, não tem nada de mais: duas igreja e um duvidoso padrão de pedra com as armas Portuguesas. Parece que tomei a decisão correcta ao não ficar na cidade!
Desapontado, embarco no Onibus para Belo Horizonte. Espera-me uma viagem de 17 horas pela frente e a brasileira que está por trás de mim não facilita os momentos iniciais pois trauteia ruidosa e constantemente as músicas que vai ouvindo no seu MP3. Além disso a televisão estava avariada e por isso, o entretenimento a bordo estava reduzido ao mínimo. Ainda assim, consigo dormir as últimas 7 horas e acordo já em Belo Horizonte.

Saio directo do autocarro e vou à bilheteira comprar um bilhete para Ouro Preto, cidade mineira dos séculos XVIII e XIX: "Não aceitamos cartão, só dinheiro", responde-me o vendedor com ar solene. Saio assim da rodoviária para procurar uma caixa multibanco, encontro uma passados 45 minutos de procura incessante por Belo Horizonte munido da minha mochila de 13 kg... Lá consigo chegar a tempo do proximo autocarro.



Chego a Ouro Preto, e sorte a minha, encontro lodo à saida da estação uma tabuleta com a indicação de um Hostel do ramo "Hostelling International", sigo as indicações e acabo por aterrar no "Hostel Brumas", são 11 da manhã de dia 22.
Resolvo não descansar, a cidade espera por mim. E que espetáculo de cidade! Nascida com a descoberta de Ouro no estado de Minas Gerais, Ouro Preto é toda ela uma cidade Portuguesa do século XVIII. Passo o dia entre igrejas, museus e pracetas. Para chegar a qualquer sitio é necessário trepar pelas ruas pois em Ouro Preto as ruas têm declives absurdos. E é a trepar que pelas 18 horas, vou para o Hostel. Mas, infelizmente para mim, lembro-me que tenho de jantar. desco outra vez para o centro, compro uma pizza congelada e volto a escalar a rua que dá para o Hostel.
Travo conhecimento com dois ingleses que viajam há 11 meses, uma Francesa e uma Americana. Janto e passo o serão com eles, sabe bem conviver!

São 23h30, vou para a cama esgotado...

sábado, 19 de setembro de 2009

Início

Ao chegar a Salvador da Bahia a primeira coisa que me passou pela cabeça foi: "Mas onde é que te foste meter Francisco?!". Verdade seja dita, ainda não estou acostumado à ideia de passar os próximos meses a vaguear sozinho pelas Américas, parece-me a mim que não estou minimamente preparado para tal empresa.
Se me perguntassem ha 6 anos atrás qual seria o percurso a tomar por esta altura, eu responderia "Trabalhar numa consultora, Banco ou qualquer coisa do género....", ou seja, nada relacionado com o que estou a fazer! Além disso, tendo estudado onde estudei, tudo me levaria crer que esse seria o meu percurso.
Contudo, como a vida é recordada através de experiências, esta seria uma experiência que eu não poderia deixar passar ao lado! Não consigo evitar rir para dentro ao pensar na ideia! E é por esse motivo, que apesar dos meus receios, entrego-me a este projecto.
Enfim... Agora estou em Salvador, uma das primeiras cidades Portuguesas no Brasil. Uma cidade pintada pela alegria que os baianos levam consigo: Em cada esquina do centro existe uma escola de capoeira, os edificios, pintados com cores pastel lembram a baixa Lisboeta e a percussão dos tambores marca o ritmo do centro da cidade. Os edificios históricos provam a presença Lusa no País: Igreja de S.Francisco, a Basilica e a Igraja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Todos estes edificios conferem a esta cidade um tom marcadamente Português que me leva a navegar pelos séculos passados do colonialismo.

Hoje estou em Salvador, amanhã não sei, talvez Porto Seguro ou Lençois...